A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta crescimento de 3,66% para o varejo brasileiro em 2026. O percentual supera a estimativa de 1,81% prevista para 2025 e indica um ambiente de expansão mais consistente para o setor no próximo ano. O avanço, no entanto, não deve se apoiar apenas em volume ou estímulos pontuais ao consumo.
Na avaliação da mentora Surama Jurdi, CEO e fundadora da Surama Jurdi Academy, o cenário que se desenha para 2026 reflete uma mudança na forma como as pessoas tomam decisões de compra. Segundo ela, confiança e economia de tempo passam a pesar mais do que o preço isoladamente, em um ambiente marcado por cautela e excesso de ofertas.
Para a especialista, o varejo deixa de ser definido por quem pratica o menor valor e passa a ser diferenciado pela capacidade de operar com consistência e aprender rapidamente. “A expectativa é que a marca conheça o cliente, antecipe necessidades e entregue soluções relevantes”, afirma ela.
Nesse contexto, a experiência do consumidor deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser percebida em pontos concretos da jornada. De acordo com Surama, fatores como clareza nas informações e previsibilidade na entrega ganham peso crescente na decisão de compra. O preço segue relevante, mas passa a ser avaliado junto com a percepção de conveniência operacional.
Varejo físico se ressignifica
A loja física também assume outra função. Para a mentora, esses espaços deixam de ter o produto como elemento central e passam a operar como pontos de serviço e relacionamento. Essa mudança amplia o peso da logística e do pós-venda. Segundo Surama, falhas nesses pontos comprometem diretamente a confiança construída ao longo do processo. Entregas previsíveis e políticas de troca mais simples deixam de ser diferenciais e passam a integrar o padrão esperado pelo consumidor.
A tecnologia aparece como suporte dessa transformação, mas não como solução isolada. Na leitura da especialista, a inteligência artificial tende a ganhar espaço na base operacional do varejo, apoiando decisões relacionadas à demanda e à personalização do atendimento. “No entanto, sem processos claros, cultura orientada a dados e liderança preparada, o impacto se torna limitado”, conta Surama.
Escolha consciente
Outro fator que passa a influenciar as decisões de compra é a validação social. Surama avalia que experiências reais e recomendações exercem influência maior do que campanhas tradicionais, especialmente quando associadas a entregas consistentes. “Sustentabilidade e propósito são significativos, desde que fundamentados por práticas concretas e coerentes”, defende.Para a mentora, esse novo cenário exige uma evolução equivalente na formação de líderes do setor: “Sem uma liderança qualificada, cultura forte e clareza estratégica, nenhuma transformação se sustenta.” O varejo de 2026, afirma, demanda gestores capazes de dominar três pilares: “visão global, capacidade de execução local e desenvolvimento humano”.
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